quinta-feira, 17 de março de 2011

A entrevista

Não foi o que eu estava à espera. Se é que me fosse permitido esperar fosse o que fosse...
De uma coisa eu estava certa: Estás a receber subsídio? Comes e calas!

Pois bem, fui confrontada com uma realidade que me deixou com  os nervos à flor da pele, ao ponto de, assim que me vi sozinha, me desmanchar em pranto que nem uma menina de 5 anos a quem tiraram a boneca favorita.

A entrevista disse respeito a um programa de reabilitação para deficientes. Tudo a favor, nada contra.
Ajudam pessoas com deficiências a entrar no mercado de trabalho, dando-lhes formação e eventual apoio na procura de emprego.

Querem dar-me formação, a 70 km de casa, não pagando despesas de deslocação, com duração de ano e meio, num curso de cad que se calhar eu aprendia numa semana, e quando o meu subsídio termina dentro de meio ano e nada me foi dito que este continuará a ser pago durante o tempo de formação.
Senhores, de certeza que não estamos em sintonia...

Expliquem-me lá, como se eu fosse muito burra... Porque é que eu, arquitecta paisagista há quase 10 anos, com 8 de experiência profissional, que trabalho com um programa de cad com uma perna às costas, casada e mãe de família, com responsabilidades, sou uma boa candidata a este programa? Só porque um dia tive a infelicidade de perder a audição?
E agora o Estado, o mesmo cuja Junta Médica, por Lei, não me atribui qualquer incapacidade devido a esta "deficiência", e consequentemente nenhum benefício, vem impor-me uma formação que eu não quero, durante um período de tempo absurdo, longe de casa, sem receber um tostão, apenas com a promessa de "tentar ajudar"?
Excepto a entrada na universidade, nunca tive quaisquer vantagens e regalias por ser deficiente, e não será agora que me vão impor isso à força toda.

Sim, estou revoltada. E com medo. Muito medo... Sinto-me entre a espada e a parede, com a perspectiva de, face à recusa, ficar sem o subsídio que está a permitir ter a vida (por enquanto) equilibrada.
Agora é altura de tentar perceber este sistema muito bem, e pensar, com a cabeça já mais refrescada.
É que a quente, as ideias saem um bocado toldadas

6 comentários:

Rafeiro Perfumado disse...

O Estado não deixa de me surpreender... Beijoca e espero que encontres a melhor solução.

Crente disse...

Este país está cheio de idiotas... não percebo como fazem esses cálculos, mas de certeza que não vêem os contextos de cada um antes de "tentarem ajudar".
Tens mesmo de aceitar?

zitamina disse...

rafeiro, aqui entre nós, parece-me que o estado é que sabe qual a melhor solução!

crente, é o que estou a tentar saber.
a Dra. com quem falei até era uma pessoa sensível. mas quando reúne um determinado grupo de pessoas e impõe uma coisa sem saber minimamente quem são essas pessoas, não abona muito a favor do programa. ela não sabia nada sobre mim, apenas que era surda!

Manuela disse...

Querida Zita, volta lá e diz-lhe tudo exactamente o que disseste aqui. Tenho a certeza que a Dra. vai mudar a sua perspectiva de ti!
Força :)

Manuela disse...

Querida Zita, tens um selo para ti, lá na Turista.
As melhoras, beijinhos e bom fim de semana :)

Ricardo disse...

Pois... é por cenários como esse que não me inscrevo no centro de emprego. Estou desempregado, mas como não recebo subsidio de desemprego (não tenho direito) não me inscrevo. Pois não vejo nessa instituição solução para o estado em que me encontro.
Somos todos colocados no mesmo saco e encaminhados para pseudo soluções que de solução não têm nada.
O cenário e a solução que te apresentam só servem para a estatística deles. Efectivamente não serve para nada (quase nada) para 90% das pessoas que estão inscritas nesses cursos.

Ps. Já dei formação no centro de emprego, já vi como a maquina funciona.