sexta-feira, 4 de março de 2011

É carnaval

Em miúda, vivia o Carnaval com a euforia que lhe é inerente.
Queria andar mascarada/pintada a toda a hora, ver desfiles, ir a festas e delirava com aquilo tudo.
As minhas fantasias, quando a minha mãe já não tinha paciência para me fazer um vestido à Sevilhana ou uma roupa a Pierrot,  ou mesmo quando a vizinha não me podia emprestar aquela fantasia de bruxa que eu adorava, por já estar destinada a alguém, eram improvisadas muitas vezes com roupa velha retirada do fundo das gavetas, saias rodadas, xailes, fatos e coletes com mais anos de vida do que eu e tudo o que pudesse ser convertido em algo interessante.
Lembro-me que era quase um ritual, dias antes da data, escolher a fatiota e proceder às alterações necessárias. Em parte, era isso que fazia a coisa ser divertida.

Hoje vê-se um desfile de personagens. As crianças vão alegres vestidas de Homem-aranha, Princesa e Kitty, é certo, mas eu olho e vejo fantasias sem piada...
São daqueles fatos inteiros, sem forma e de tecido duvidoso (se é que aquilo é tecido) e ao qual nem se deram ao trabalho de retirar os vincos das dobras por passarem meses dentro de um saco.
Um fato retirado de uma qualquer prateleira de supermercado, sem história, sem vida.
Algo que para o ano que vem já será um monte de material rasgado e fora de moda, porque entretanto surgiu um fato ainda mais fixe.


E vai-se a ver, parece que o Carnaval (também) já é descartável.

2 comentários:

Manuela disse...

Querida Zita, o Carnaval segue a tendência da sociedade: tudo é descartável efectivamente. Também eu e as minhas amigas, nos mascarávamos com as saias, lenços e aventais que existiam, nas nossas casas e que as nossas mães guardavam no fundo do baú. Depois eram lavadas, passadas a ferro e guardadas novamente, quem sabe para a máscara de uma amiga, no próximo carnaval :)
Hoje a grande maioria, são fatos das lojas dos chineses, sem qualidade nenhuma, mas os miúdos para o próximo ano já têm um herói diferente, portanto...
Beijinhos e bom fim de semana :)

Rafeiro Perfumado disse...

Eu ainda vivo o Carnaval com uma certa alegria, seja em casa de amigos ou na minha, onde não falta um elemento de fantasia.

Bejoca!