Tendo em conta que vivi dois terços da minha vida em silêncio, sei que nos tempos actuais os programas de rádio estão bastante evoluídos. Uma das vozes que ainda pairam na minha memória, era de um locutor que dizia “Tooodooos no tooooopeeeeeee”. Recordam-se? :D
Falando desses programas, tenho pena de não conseguir acompanhar, e a verdade é que ignoro todo e qualquer conceito de humor radiofónico. A título disso, afirmo mesmo que gostava imenso de ouvir o programa do Nuno Markl, com o seu humor corrosivo, mas é algo que (ainda) está muito além das minhas possibilidades ouvintes.
Uma coisa que me irrita profundamente é quando o locutor ainda está a falar, e já tem música a tocar por trás, ao mesmo tempo, facto este que acontece também na Tv e no Cinema. É que é lixado tentar captar a informação que realmente interessa no meio de tanto “ruído”.
O mesmo se aplica a simples conversas (entre mim e um ou mais intervenientes) que ocorram em ambientes ruidosos.
E-S-Q-U-E-Ç-A-M!
Nessas alturas, o que me vale é a minha (bendita) capacidade para a leitura labial!
Para conseguir usufruir da minha audição, tem de ser uma coisa de cada vez.
Uma voz nítida num ambiente calmo.
Uma música rompendo o silêncio, permitindo-me desfrutar de cada nota, de cada acorde de cada instrumento até conseguir chegar ao âmago da música. Por isso tenho tendência a elevar o som da aparelhagem/rádio/tv, quando alguma me prende a atenção.
Não é por a ouvir mal (porque não ouço, dado que actualmente ouço mais até do que uma pessoa ouvinte), mas por necessitar que ela se sobreponha a qualquer ruído envolvente.
Nesta jornada, tenho descoberto algumas melodias que me são significativas.
Mas de uma coisa tenho a certeza…
Para mim a melhor música continua a ser aquela criada por uma imagem de papoilas ondulantes que pintalgam de vermelho um enorme campo verdejante.
Porque sem qualquer tipo de som, consigo VER toda a melodia lá presente, quanto mais não seja pela vontade terrível de querer correr por entre elas.
