Que uns botins (os únicos botins que achei giros assim à primeira, e que já me imaginava a andar com eles, não fazendo caso de estar à procura de uns castanhos e aqueles serem pretos) custem 110 euros!
É indecente mesmo!
Assim, como é que uma gaja (pobre) pode andar fashion?
O Hospital de Aveiro é um dos 27 finalistas da Missão Sorriso deste ano e candidata-se com um projecto de aquisição de material para a Unidade de Cuidados Intermédios Neonatais.
Este ano, apenas cinco unidades serão seleccionadas e, pela parte que nos toca, sabemos que este hospital merece ser uma delas.
A edição MISSÃO SORRISO 2009 integra uma votação on-line. Os projectos/hospitais mais votados passarão à fase seguinte.
Recebido por mail, quase mesmo a propósito de uma reunião que tivemos aqui no meu serviço esta manhã, onde nos foi pedido "mais e melhor com menos e sem qualquer garantia de termos o posto de trabalho no ano que vem"
A coisa está cada vez mais negra, isso é certo!
Exmo. Sr. 1º Ministro,
Vou alterar a minha condição de funcionário público, passando à qualidade de empresa em nome individual (como os taxistas) ou de uma firma do tipo "Jumentos & Consultores Associados Lda." e em vez de vencimento passo a receber contra factura, emitida no fim de cada mês. Ganha o ministro, ganho eu e o país que se lixe!
Ora vejamos:
Ganha o ministro das Finanças porque: - Fica com um funcionário público a menos. - Poupa no que teria que pagar a uma empresa externa para avaliar o meu desempenho profissional. - Ganha um trabalhador mais produtivo porque a iniciativa privada é, por definição, mais produtiva que o funcionalismo público. - Fica com menos um trabalhador, potencial grevista e reivindicador que por muito que trabalhe será sempre considerado um mandrião.
E ganho eu porque: - Deixo de pagar na totalidade todos os impostos a que um funcionário público está obrigado, e bem diga-se, pois passo a considerar o salário mínimo para efeitos fiscais e de segurança social. - Vou comprar fraldas, champôs, papel higiénico, fairy, skip e uma infinidade de outros produtos à Makro que me emite uma factura com a designação genérica de 'artigos de limpeza', pelo que contam como custos para a empresa. - Deixo de ter subsídio de almoço, mas todas as refeições passam a ser consideradas despesa da firma. - Já posso arranjar uma residência em Espanha para comprar carro a metade do preço ou compro um BMW em leasing em nome da firma e lanço as facturas do combustível e de manutenção na contabilidade da empresa. - Promovo a senhora das limpezas lá de casa a auxiliar de limpeza da firma. - E, se no fim ainda tiver que pagar impostos, não pago, porque três anos depois o Senhor Ministro adopta um perdão fiscal; nessa ocasião vou ao banco onde tinha depositada a quantia destinada a impostos, fico com os juros e dou o resto à DGCI.
Mas ainda ganho mais: - Em vez de pagar contribuições para a CNP, faço aplicações financeiras e obtenho benefícios fiscais se é que ainda tenho IRS para pagar.
- Se tiver filhos na universidade eles terão isenção de propinas e direito à bolsa máxima (equivalente ao salário mínimo) e se morar longe da universidade ainda podem beneficiar de um subsídio adicional para alojamento; com essas quantias compro-lhes um carro que, tal como o outro, será adquirido em nome da firma assim como manutenções e combustíveis. - Se tiver um divórcio litigioso as prestações familiares que o tribunal me condenar já não serão deduzidas directamente na fonte e recebo o ordenado inteiro e só pago se me apetecer...! Como se pode ver, só teria a ganhar e já podia dizer em público o nome da minha profissão sem parecer uma palavra obscena, afinal, em Portugal ter prejuízo é uma bênção de Deus!
Está visto que ser ultra liberal é o que realmente vale a pena, e porque é que os partidos que alternam no poder têm tantos votos...? Atentamente A. Bivar de Sousa
Ela cresce mesmo debaixo do nosso olhar, atento a tudo o que faz. Tal como os seus olhos nos seguem e aos poucos a permite imitar-nos em gestos banais.
Ela bate palmas e leva a mão à boca para atirar um beijo, mesmo que ainda não se aperceba que a mão vá ter ao olho ou à orelha.
Ela sorri com os olhos, com a boca toda de onde já espreita um dentinho, com as mãos que se lançam ao alto e me pedem colinho quando acorda de manhã, quando a vou buscar à creche depois de um dia inteiro (e tão longo) longe dela, ou ao pai quando ele chega a casa ao fim do dia.
Ela fala, canta, entende. Sabe onde está o balão vermelho, sabe que é uma Rita que se reflecte no espelho, conhece e procura o Nico e a Julieta. E ri-se à gargalhada quando sente o pêlo deles tocar-lhe nas mãos.
Ela ri-se sozinha com os desenhos animados na TV.
Ela abre os braços à Lola quando a deixo na creche, e fica feliz.
Come sopas diferentes, experimenta sabores novos e não estranha. Come até decidir que não quer mais.
Tira o babete sozinha, como que desafiando-me, e atira-o para o chão com cara de fraca.
Ela suja-se com sopa, com papa, com fruta e iogurte.
Ela levanta-se sozinha na cama dela e fica agarrada às barras até que alguém a pegue ao colo enquanto chama "taa- taa". Ou então deixa-se cair e fica sentada entretida com os bonecos.
Ela arrasta-se pelo chão, procura um apoio para se levantar, põe-se de gatas e já dá passinhos com a nossa ajuda.
Pega na chupeta quando a vê e põe-a na boca. Adormece com ela, quando não adormece ao peito. Aninha-se no meu colo quando está com soninho sabendo que ali está segura.
Ela agita-se durante a noite e obriga o pai a tapá-la vezes sem conta. Não gosta de estar coberta.
Gosta de passear de carro, já fez grandes viagens, já visitou mais países em 10 meses de vida do que eu na vida inteira. E já tem um arzinho de miúda independente quando a sentamos no carrinho dela.
Sorri a toda a gente, mas chora (será de susto?...) quando vê o tio (se calhar ele devia cortar o cabelo… ou fazer a barba!)
Gosta de andar na moto4 que o tio lhe deu, e sorri para nós enquanto percorre os quartos todos montada nela.
Ela faz-me perder-me em roupinhas e ganchos para o cabelo que ainda não chega para fazer um totó.
Ela está a crescer, e eu queria ter capacidade de registar cada momento.
E o olhar dela, já falei? Perco-me no olhar dela...
Arrancou esta semana em Portugal um projecto pioneiro de solidariedade. A água embalada Earth Water é o único produto no mundo com o selo do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), revertendo os seus lucros a favor do programa de ajuda de água daquela instituição.
A nível nacional, a Earth Water é um projecto que conta com a colaboração da Tetra Pak, do Continente, da Central Cervejas e Bebidas, da MSTF Partners, do Grupo GCI e da Fundação Luís Figo.
Com o preço de venda ao público (PVP) de 59 cêntimos, a embalagem de Earth Water diz no rótulo que «oferece 100% dos seus lucros mundiais ao programa de ajuda de água da ACNUR», apresentando, mais abaixo, o slogan «A água que vale água».
Actualmente morrem 6 mil pessoas no mundo por dia por falta de água potável. Com 4 cêntimos, o ACNUR consegue fornecer água a um refugiado por um dia.
"Todos os dias morrem seis mil pessoas devido à falta de água potável e destas 80% são crianças. A cada 15 segundos morre uma criança devido a uma doença relacionada com a água. Com a criação da Earth Water pretende fazer-se a diferença e melhorar estas estatísticas assustadoras. Ao desenvolver o conceito "You Never Drink Alone" pretende-se criar solução para a falta de água mundial."
Eu não sou azelha a conduzir. A sério que não sou! Arrisco mesmo dizer que sou um exemplo a seguir (cof cof). Mas a credibilidade vai toda por água abaixo quando eu vos disser que uma parede veio contra mim. E tudo piora quando eu vos recordar do que aconteceu aqui.
Tenho o orgulho magoado, pronto.
Mas digo em minha defesa que não tive culpa. Porque em ambas as vezes eu travei, mas as rodas bloquearam, e lá fui eu...
Bzzzzzzzz... PUM!
E quando isto acontece num parque de estacionamento, é caso para dizer que foi o embate mais estúpido que podia ter acontecido.
O resultado? Um pára-choques novo. O segundo em dois meses. E as bocas do M para os próximos... sei lá... 5 anos?
O que deveria ser uma simples ida ao shopping para almoçar, traduziu-se na compra de DOIS pares de sapatos. E também esteve uma blusa na forja, mas graças às minhas (ainda grandes) mamas, não cabia lá dentro! Obrigada, filha, que graças ao teu leitinho não fui (muito) mãos largas hoje...
"Arquitecta, já estou na Maminha", em virtude de uma reunião que tinhamos marcado numa obra.
Escusado será dizer que me parti a rir, dado que o nome correcto do local em questão é Mamoinha.
A dúvida é se ele fez de propósito ou não. Verdade seja dita, nem coragem tive de o confrontar com o erro. Devia não é? Mas acho que ia deixar o senhor assim... sem saber bem onde se meter...
A conversa que se segue aconteceu esta manhã, quando passei por duas Senhoras da Vida e uma delas estava sentada numa cadeira com o jornal aberto à sua frente!
Como não podia deixar de ser, desatei a lançar veneno, mandando sms ao M.
Eu: Olha uma p*** a cultivar-se... a ler o Correio da Manhã!
M. : Lolada... O Correio da Manhã não é grande jornal!
Eu: Ela também não era grande p***... Aposto que a outra que tem a carrinha Bmw se cultiva melhor. Deve ler muitos livros............................. de cheques!
Seria com esta fotografia que no próximo domingo eu iria presentear a nossa família como lembrança de baptismo da Rita. Não fosse o destino cruel ter ditado ontem, injustamente, um acidente grave ao pai do M. Neste momento está tudo num reboliço. A única certeza que temos é que a situação não está fácil. Tenho o meu marido metido num avião a caminho da Suiça para ir ter com o pai, e eu sinto-me impotente e mergulhada em mágoa.
A única coisa que quero é que ele volte para casa. Quero que todos voltem para casa. Quero ver a minha filha sentada ao colo do avô, e quero que ele a ensine a andar de bicicleta, um dia.
Nunca esta frase fez tanto sentido como agora:
Há apenas duas maneiras de ver a vida: uma é pensar que não existem milagres, e a outra é acreditar que tudo é um milagre.
Dou de caras com o meu carrito favorito, ao ponto de nem me importar quando está a ocupar tooooodaaaaa a zona de estacionamento. É bonito, pronto! Claro que o condutor, pai de uma das criancinhas que partilha a sala com a Rita ser daqueles gajos tipo jogador de bola/top model (daqueles mesmo de mandar o queixo ao chão) não é para aqui chamado.
Amorzinho, desculpa... Mas que queres? Não sou cega!!!! :P
Eu acho que não é, mas ter duas das minhas oito ou nove leitoras diárias a considerarem este blog fabuloso (dez, vá), já é motivo para me orgulhar! Obrigada à minha querida framboesa, que está aqui tão pertinho e à minha querida Sónia, que mesmo estando lá tão longe está sempre no meu coração.
Parece que este prémio vem com um desafio. Por isso vamos lá ver
Tenho de listar 5 obsessões, apegos ou manias. Não é por nada, mas isto é para despistar essa coisa de ser fabulosa?
Cá vou eu envergonhar-me:
1. Não sou capaz de ir dormir sem antes ter feito xixi (mesmo que tenha ido à casa de banho 15 minutos antes... podem-se rir! :P)
2. Não suporto estar em casa em pleno dia e ter as persianas fechadas. Casa que é casa tem de ter sol a entrar (e lua também). Talvez por isso a minha casa tenha as janelas estupidamente grandes
3. Troco de roupa assim que chego a casa e ponho-me o mais confortável possível (sim Sónia, eu compreendo-te bem! É que andar o dia todo com roupa justa e saltos altos é dose!)
4. Adoro mergulhar na banheira e ficar lá uma boa meia hora. Há um pequeno senão... a água tem de estar estupidamente (gosto desta palavra, pronto!) quente! Sim M... eu sei que um dia destes tu regulas a temperatura da caldeira
5. Tenho a mania das horas, sou pontual e gosto que sejam comigo também. Que querem? Preciso de sentir que controlo o meu tempo! As boas notícias é que esta mania está a dissipar-se com esta nova condição de mãe. A Rita não me deixa controlar seja o que fôr :D
E já está!
Eu devia passar este desafio a não sei quantas pessoas, mas olhem, também tenho a mania que sou rebelde! :P
Estou de volta. Ainda nem acredito que já se passaram 5 meses desde o meu último dia de trabalho. Índice de saudades: 0
Confesso que estava mais nervosa com a própria ideia de vir e deixar a Rita nas mãos de estranhos, do que com o acto em si. Estou calma, segura e confiante, porque sei que ela está em boas mãos. Pelo menos quero acreditar que sim. Difícil, foi conter as lágrimas quando à saída da creche o M. me perguntou se eu estava bem.
O que está a tornar este dia mais fácil é este solzinho radioso, e também o facto de ainda não ter nenhuma carga de trabalho (he he he)! Mas tenho para mim que é por pouco tempo...
De resto, cá estou! Ouviste Sónia? A ver se a coisa começa a andar outra vez! :D
No outro dia fomos jantar fora, e o restaurante eleito foi um italiano muito bom aqui da zona. A comida lá é divinal, e as sobremesas não lhe ficam atrás. À menina aqui deu-lhe um ataque de gulodice, e vai de pedir um Crepe Dame Blanche, que consiste num crepe com banana, molho de chocolate e chantilly (já estou a salivar só de me lembrar). Passados uns minutos vem a empregada com os ditos pratos de sobremesa na mão, vira-se para o M. e diz "Crepe dame blanche", ao que ele responde prontamente "Crepe de avelã?! não, não é para aqui!"
E eu estive por um triz de ver o meu maravilhoso crepe voltar para trás...
Escusado será dizer a risada que veio depois, com o M. sem saber onde se enfiar... :D
A bigita pensa que eu não tenho mais nada que fazer entre as mamadas, do que estar a responder a estas coisas... E tem razão, pronto!
1. QUATRO TRABALHOS QUE TIVE NA MINHA VIDA ajudante no minimercado dos meus pais (nas horas vagas) estudante arquitecta paisagista mãe
2.QUATRO LUGARES EM QUE VIVI na casa dos meus pais numa casa com colegas da universidade, no Alentejo num apartamento com uma colega/amiga do trabalho na minha casinha
3.QUATRO PROGRAMAS DE TV QUE ASSISTIA QUANDO CRIANÇA verão azul fama d'artacão galática
4.QUATRO PROGRAMAS DE TV QUE ASSISTO prison break grey's anatomy house er
5.QUATRO LUGARES EM QUE ESTIVE E VOLTARIA marbella puerto banus ilha de tavira minha casa
6.QUATRO FORMAS DIFERENTES QUE ME CHAMAM zita garota menina arquitecta zita
7.QUATRO PESSOAS QUE TE MANDAM CORREIO QUASE TODOS OS DIAS rui são (e mais ninguém...)
8.QUATRO COMIDAS PREFERIDAS marisco leitão sopa de pedra arroz de pato
9. QUATRO LUGARES EM QUE DESEJARIA ESTAR AGORA praia tropical a apanhar sol que nem uma lagartixa praia tropical a banhar-me nas águas quentes e cristalinas praia tropical a tomar o pequeno almoço numa varanda com vista espectacular num cruzeiro com destino a alguma praia tropical
10.QUATRO AMIGOS QUE CREIO QUE ME RESPONDERÃO quem tiver paciência...
11.QUATRO COISAS QUE ESPERO QUE ESTE ANO EU POSSA: passar o máximo de tempo possível com a minha bebé namorar ter muitos momentos felizes retomar o trabalho sem stresses
Aqui está o que você tem que fazer: 1. copiar as perguntas e escrever as respostas 2. postar 3. avisar quem desafiou
considerem-se desafiados todos aqueles que estão linkados :) (framboesa, eu sei que este vais fazer! :P)
A Bigita lançou-me um desafio, e lá consegui responder entre as mamadas! lol Aqui vão as regras:
1. linkar a pessoa que te indicou 2. escrever as regras do desafio 3. contar seis coisas aleatorias sobre si 4. No final do post, passar a mais 6 vitimas 5.ir aos blogs das vitimas avisar que foram indicadas
1. Sou paisagista e o meu jardim está uma lástima. É caso para dizer "Em casa de ferreiro, espeto de pau", mas na verdade a culpa é dos cães! Juro!
2. Sou muito preguiçosa para cuidar de mim, mas já prometi e mim mesma que isso vai mudar! Vou tratar deste cabelo já para a semana! Prometo!
3. Nunca viajei, por falta de verba (Espanha não conta). Apesar de não ser prioridade na minha vida, gostava de ir a alguns sítios antes de morrer. E levar a minha mãe à Madeira, que é o sonho dela.
4. Não falo para o meu pai há 3 anos.
5. Nunca me embebedei, nunca fumei nem nunca experimentei qualquer tipo de substâncias legais na Holanda. Em suma, sou uma Santa!
6. Casei no dia dos namorados, não por ser uma pessoa romântica, mas precisamente para trazer algum romantismo a esse dia, dado que foi feito tão à pressa! (Com roupa comprada na véspera e tudo!). Mas foi, sem dúvida, um casamento muito diferente!
Há uns tempos, deparando-se com a minha surdez e com a novidade de ser mãe, alguém me disse que eu era uma mulher de coragem. Aquele comentário, ao invés de me deixar cheia de orgulho, deixou-me um pouco revoltada. Porque por uns instantes pensei que ser mãe era algo que me estaria condicionado devido à minha incapacidade.
Sim, preocupa-me a falta de controlo. Sim, preocupa-me não poder ouvir choros a meio da noite. Sim, preocupa-me não saber músicas de embalar para lhe cantar. Sim, preocupa-me que me possa escapar a primeira palavra que ela disser.
E obviamente que me preocupa a “comunicação” que terei com ela, principalmente enquanto for demasiado pequenina para entender que a mãe não é como as outras pessoas...
No entanto, e apesar das preocupações que até são legítimas, não tenho receio porque sei que as crianças têm uma capacidade de se adaptar ao meio que as envolve, que faz tudo parecer tão simples...
Mulher de coragem, eu? Não me parece... Apenas crente.
M: Está calor aqui, se calhar a cama tem roupa demais Eu (a levantar o tom): De manhã disseste que tinhas dormido bem! M: Pois disse, mas agora tenho calor! Eu (a ficar mais irritada) : Não te decides!
M olha para mim com ar superior e faz-se silêncio...
Eu (já com a cabeça enterrada na almofada): Vamos mas é dormir que estamos a desperdiçar minutos de sono preciosos!
No dia 11 de Dezembro, às 23.45h e após 12 horas em trabalho de parto, a Rita viu finalmente a luz do mundo. Linda, pequenina e perfeita. E num segundo esqueci toda a aflição das últimas semanas.
Na segunda noite no hospital, apenas com um dia de vida, olhei para ela e envolvi-a nos meus braços. Tudo aquilo que senti desde o primeiro instante em que a vi se reforçou nesse momento. Inexplicavelmente, as lágrimas caiam-me pela cara e, pela primeira vez na vida, posso dizer sem vacilar, que sim, já chorei de felicidade!
Tudo estava a correr bem, e nada fazia prever que no dia da alta ela tivesse de ficar internada. Nesse momento senti que o chão me fugia por baixo dos pés, não pela desilusão de não a poder levar para casa no dia previsto, mas pela preocupação de que algo de errado se passava com ela. E senti medo.
Os dois dias em que ela esteve na incubadora foram dos mais dolorosos da minha vida. Tão pequenina e tão frágil, e eu a sentir-me impotente perante as “atrocidades” que a equipa médica lhe fazia... Só me apetecia pegar nela e levá-la dali, virmos para casa e esquecer aquele pesadelo. Não ajudou o facto de eu estar física e psicologicamente debilitada para aguentar aquilo tudo. E chorei. Chorei imenso, dia e noite com tanta dor, tanta angustia porque me via ali sozinha, e sentia-me perdida, ainda mais porque me apercebi de que teria de lá ficar pelo menos uma semana, pois o antibiótico tinha de ser tomado durante este período de tempo.
Quando a tiraram da incubadora pude finalmente pegar-lhe, amamentá-la, cobri-la de beijos e mimos, e passar o meu tempo a tratar dela. E tornou-se menos custoso. Menos, mas não totalmente, pois apesar de saber que tinha de sair daquela ala do hospital, nem que fosse por uma hora para espairecer, não me sentia capaz de o fazer, com receio que ela precisasse de mim, tivesse fome e chorasse... Tinha a sensação de a estar a abandonar, mesmo sabendo que as enfermeiras estavam ali para tratar dela. Senti-me a entrar em parafuso e não estava a conseguir gerir bem os meus sentimentos.
No dia 22 teve finalmente alta. Com resultados negativos nas análises que tinha feito, para grande alívio nosso. E pude finalmente trazer a minha princesa para casa.
Creio que estive em casa cerca de 4 horas, atarefada e feliz a preparar tudo para ela. Até que senti que algo não estava bem comigo. Uma hemorragia levou-me de novo para o hospital, desta vez para o bloco operatório, de urgência. E só pensava na minha pequenina que tinha ficado em casa e estava com fome. Felizmente o M. esteve à altura, e nessa noite tratou dela sozinho, inclusivé dando-lhe biberão com leite que foi buscar à unidade do hospital onde ela tinha estado internada. Fiquei orgulhosa.
Pude vir para casa rápidamente, mesmo a tempo de passar cá o Natal. Um Natal estranho, confesso, mas muito Feliz.
Mais uma ida às urgências. Mais uma tentativa de aliviar as dores. Mais um sorriso amarelo quando a médica diz que a causa é o bebé. Mais uma noite em branco. Estou a dar em doida porque nada resulta.
E confesso que, por um lado estou aliviada... mas por outro vejo que o tormento continua.
Aliviada porque a Rita vai continuar no quentinho, ganhando mais peso e ficando mais forte.
O tormento, esse, é o de continuar com estes sintomas estúpidos, que não vejo forma de passarem.
A médica, numa perspectiva de eu me sentir melhor, aumentou-me a dose de Atarax, o que se traduz numa pedrada de sono o dia inteiro.
E tudo o que eu queria, era dormir uma noite inteira!
É que isto de andar a deambular pela casa noite dentro, ora assaltando o frigorífico, ora fazendo visitas frequentes à casa de banho, ora vendo a emissão de TV às 4 ou 5 da manhã, é muito giro mas começa a ser cansativo!
No entanto, tento ver isto como uma preparação para os tempos que se avizinham.
Se já andava com a minha mobilidade condicionada, então agora é que é a valer. Há alguns dias que já ando com as minhas mãos dormentes e doridas, e isto tem vindo a piorar. Começo a ficar com incapacidade para fazer coisas simples, como calçar umas meias ou abrir uma garrafa de água! Milagre é ainda conseguir teclar, mas verdade seja dita isso também não requer muito esforço, pois os únicos dedos que uso são os indicadores! Devo dizer que as dores são muitas e o mau estar causado é demais. É por isso que acho mesmo que esta é a grande semana. Ao menos já estou mentalizada para tal.
Hoje foi dia de consulta. E pela primeira vez saí de lá preocupada. Quando a médica diz que há a possibilidade de ter de ficar internada, para me provocarem o parto, é caso para isso. Ou não? Quem me manda a mim achar que tenho um "sistema" normal, quando já se sabe que não há ninguém mais propício a apanhar doenças/vírus/ou merdinhas que não lembram nem ao diabo?... :(
O importante é que a Rita está bem. Agora só isso interessa. E só tenho de aguentar estas comichões que, ao contrário do que o M dizia, não, não são psicológicas. Nem são falta de banhos!!! O meu fígado simplesmente não é (está) bom... (e não, eu não bebo!) e traduz-se neste estranho sintoma. Por isso, quarta feira lá vou eu de manhazinha até ao hospital, fazer uma análise qualquer. Se o resultado não for bom, ou seja, se isto piorar, lá terei de ficar internada. Bonito!
Como se não bastasse ainda há a possibilidade de ter diabetes. Se bem que este problema, por ser já no fim de tempo não seja assim tão preocupante.
O bom nisto tudo é que se calhar vou ver a minha filha mais cedo do que previsto, apesar de ainda não estar mentalmente preparada...