quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

pai



Quando era pequenina davas-me a mão, e eu caminhava com passo acelerado para te poder acompanhar.
Enquanto cresci sempre estiveste a meu lado, amparando-me, apoiando-me e satisfazendo os meus pequenos caprichos dentro daquilo que nos era possível.

Acima de tudo, deste-me amor.

Hoje fazes 65 anos.
Gostava de te poder abraçar e dizer o quanto te amo, dar-te os parabéns e ver-te feliz.
Gostava que os três últimos anos nunca tivessem existido, que as coisas não tivessem tomado o rumo que tomaram.
Gostava de não ter crescido… de continuar a poder contar com a tua mão que me encaminha, me puxa e me ensina a seguir em frente.

Viverei apenas com a esperança que saibas isto...
Amo-te incondicionalmente, tal como uma filha pode amar um pai.
Hoje e sempre.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

desafio

a Framboesa desafiou-me a reunir os meus desejos mais materialistas.

devo confessar que não é fácil, visto que quero taaaaaaantaaaaaaaa coisa...
pois bem, vamos lá ver!

Querido Pai Natal,
fazendo de conta que me portei bem, comi a sopa toda (e os chocolates... e outras coisas...), cumpri com as minhas obrigações (e as dos outros também), aturei o meu chefe (e outras pessoas chatas) sem os ter mandado àquela parte (pelo menos verbalmente), muito convictamente, quero:



















muito dinheiro (uma quantia obscena, de preferência)



um cruzeiro de sonho (durante, no mínimo, dois meses)




um audi Q7 (a cor pode ficar ao seu critério)

coisa pouca, portanto...

desafio agora (porque tem de se passar isto para a frente, caso contrário, não recebemos nem um par de meias!)

a Bad girl

o Algures em nenhures

o Lado obscuro da força

árvore de luz







segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

diálogos inteligentes

Em conversa com o marido, preocupado com a ideia de ter de sair de casa sem uns míseros trocos no bolso:

Tens algum dinheiro aí? Pergunta ele, enquanto leva a mão ao bolso da frente das calças.

Porquê? Não tens nenhum? Digo eu de forma despreocupada e benevolente.

(M verifica as moeditas que os dedos descobriram e olha para mim com cara de cachorrinho).

Só tens isso?! (Coitadinho, já pensava eu).

M faz beiço e leva a mão ao outro bolso, de onde tira uma nota de 5 euros, e fica a olhar para ela, surpreso.
Olho para ele, um pouco incrédula, e pergunto - Não tens mais?

A mão entra no bolso de trás e tira de lá uma nota de 20…

Com que cara acham que eu fiquei?

domingo, 2 de dezembro de 2007

momento profundo

o que menos gosto nas noites de domingo

é saber que o dia seguinte é segunda...




desilusões

espreguicei-me ainda deitada na cama. o M ainda dormia com a mão pousada na minha barriga.

de olhos fechados, sorri, sentindo aquela mão quente na minha pele

e de repente

uma enorme língua canina passa-me sobre a boca!



arghhhhh


sábado, 1 de dezembro de 2007

Marbella '07






































e eu ainda não sei o que vai sair daqui...
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...


Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,

Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.


Alberto Caeiro in "O guardador de rebanhos"