segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

diálogos inteligentes

Em conversa com o marido, preocupado com a ideia de ter de sair de casa sem uns míseros trocos no bolso:

Tens algum dinheiro aí? Pergunta ele, enquanto leva a mão ao bolso da frente das calças.

Porquê? Não tens nenhum? Digo eu de forma despreocupada e benevolente.

(M verifica as moeditas que os dedos descobriram e olha para mim com cara de cachorrinho).

Só tens isso?! (Coitadinho, já pensava eu).

M faz beiço e leva a mão ao outro bolso, de onde tira uma nota de 5 euros, e fica a olhar para ela, surpreso.
Olho para ele, um pouco incrédula, e pergunto - Não tens mais?

A mão entra no bolso de trás e tira de lá uma nota de 20…

Com que cara acham que eu fiquei?

domingo, 2 de dezembro de 2007

momento profundo

o que menos gosto nas noites de domingo

é saber que o dia seguinte é segunda...




desilusões

espreguicei-me ainda deitada na cama. o M ainda dormia com a mão pousada na minha barriga.

de olhos fechados, sorri, sentindo aquela mão quente na minha pele

e de repente

uma enorme língua canina passa-me sobre a boca!



arghhhhh


sábado, 1 de dezembro de 2007

Marbella '07






































e eu ainda não sei o que vai sair daqui...
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...


Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,

Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.


Alberto Caeiro in "O guardador de rebanhos"